É difícil passar um tempo fora de tudo isso, ainda mais tendo esse vício.
Ah, para de reclamar, imbecil, é só uma viagem.
"A carta era uma miscelânea de tristeza e alegria que não cabia dentro daquele corpo. Olhou e reolhou o papel, pra se certificar de que estava tudo certo. Recostou na cadeira, satisfeito. Resolveu reler. 'Não é tanto tempo assim' ele havia escrito. Era verdade. Claro que pareceria muito, muito mais tempo, ainda mais quando ele estivesse pra voltar, mas ele iria sobreviver. 'Vou lembrar de vocês cada minuto'. Dramático, como ele gostava de ser, mas tinha parte de verdade. Ia lembrar mais 'dela' a cada minuto, mas isso não precisava ser externado. Continuou a correr os olhos pelo papel. 'Aproveitem aqui por mim, como a gente sempre faz'. Era seu último pedido.
Encostou a carta. Não queria se alongar em despedidas, afinal não era tanto tempo assim, ia se lembrar deles (e dela) a cada minuto e eles iam aproveitar todo o tempo que tivessem. Ia ficar tudo bem. O garoto abriu um sorriso e ameaçou levantar. Desistiu. Pensou por um momento, olhou ao redor para se certificar de que estava sozinho. Pegou a caneta cautelosamente, e com um cuidado confidencial escreveu, embaixo de tudo, a única coisa que faltava ser dita.
'Vejo vocês em breve'.
Esse era o desejo mais sincero de todos."
-Todos os meus amigos voam.-