sábado, 11 de setembro de 2010

Novo Prazer

É comum ter medo do novo, tão comum quanto ter vontade de esquecer o velho. Não sei definir se é um paradoxo, para mim são duas coisas totalmente distintas. Sempre pensei que há um 'ponto de compensação' na nossa vida, sabe, podemos ficar entre o velho e o novo, podemos simplesmente ficar.
Claro, é o jeito mais chato de viver.
À parte disso, queremos esquecer o velho justamente porque é velho e gasto, já não é mais confortante. É só chato. E o novo... bom, é novo, não dá pra saber o que esperar, e por mais convidativo que pareça sempre ficamos com um pé atrás.
Mas, por favor, se alguém estiver lendo. Vamos viver logo o novo, porque o velho já deu no saco.

Adoro escrever coisas óbvias.




"'Você vem?' A pergunta tinha uma musicalidade sublime nos ouvidos da garota. Aguçava ainda mais seu sentimento impetuoso, suas loucuras. Se segurou, mas sabia que não aguentaria muito mais. 'Pra onde?' perguntou. O rapaz chegou um pouco mais perto, e colocou carinhosamente a mão em seu pescoço, alisando os cabelos que lhe cobriam a nuca. Os pelos de seu corpo gritaram, desconcertados. 'Comigo' ele respondeu. Pronto. Lá estava ela, a um passo da perdição. Sabia que não era o certo, mas era impossível. A partir dali, o cenário do lado de fora do colégio deixou de ser calçada cinza e virou um plano de fundo onírico, entre o azul e o vermelho. Ela fechou os olhos e segurou um suspiro que ela sabia, seria longo demais. Tentou não pensar com o entre-as-pernas, tentou pensar com a cabeça, com a razão. Tentou. Se esforçou.
'Não posso' respondeu com um resmungo. Ele sorriu um sorriso amarelo, chegando um pouquinho mais perto. Não ia insistir, e ela sabia que ele não ia insistir. Ficaram por um minuto em silêncio, apenas a respiração ofegante da garota afagava o rapaz, enquanto a dele continuava completamente sóbria. 'É só uma criança' pensou. Sorriu amarelo de novo com o pensamento. 'Tudo bem então' disse por fim. Se aproximou do rosto da menina e deu-lhe um beijo no canto da boca. As pernas jovens e cor-de-rosa estremeceram e bambearam. Foi a despedida. Virou as costas e ainda deu-lhe uma última olhadela por cima do ombro, antes de seguir seu caminho, deixando a menina ali parada. A calçada retomava seus tons originais de cinza forte e bege desbotado, enquanto ela ficaria ali. Estática, úmida e perdida em seus próprios sonhos.



-Um sonho que acordado é muito mais que dormindo-.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Map of the Problematique

Não é incomum pensarem que não ver o lado otimista da coisa é ser infeliz. Não vou dizer que é simplesmente ver a realidade, apesar de ser o que penso. Pra mim, não ver o lado otimista da coisa é não tentar achar soluções em demasiado. Lembro-me de ouvir alguém dizer que tentar explicar a vida é muito pior do que vivê-la (provavelmente quem disse isso queria dar um tom mais profundo à frase do que o que eu utilizei, mas ainda sim...). Sendo assim, não consigo nem imaginar quantas vezes é melhor deixar as coisas como estão do que tentar sintetizar todas as respostas do mundo numa única ação.
Covarde?
Um pouco.
Mas pelo menos estou tranquilo.


"'Agora' a voz da garota soou rouca e ofegante, oprimida pelo peso do garoto sobre seus seios. A volúpia luxuriosa dançava livremente por entre os poucos móveis do quarto sujo e velho. 'Quase, só mais um momento' a garota suplicava entre gemidos pelos movimentos repetitivos das ancas do rapaz, sempre ritmados, cada vez mais rápidos.
Ele não ousava proferir uma só lúcida palavra. Em seu corpo, o desejo massacrava qualquer tipo de razão, e tudo que se sobressaía era o roçar de suas mãos pela pele macia das curvas da jovem. O corpo que ele tocava jazia em completo êxtase, rígido, a não ser pelos lábios, que eram pressionados por seus dentes, contendo a chegada avassaladora de um gozo intenso.
Desistiu de segurar. A moça apertou as costas do rapaz e soltou um gemido alto e arrastado, deixando escapar todo o ar de seus pulmões. No corpo do rapaz, o desejo ainda massacrava a razão.
Em seu corpo. Mas não em sua mente.
Em sua mente, a idéia estava clara e cristalina, e a lucidez trabalhava sem descanso. O plano estava lá, fresco e decorado. Pegar o objeto debaixo do travesseiro, sob a cabeça dela. Era a parte difícil. O resto era simples.
Não parou as estocadas, prolongando o grito louco da garota, e lhe dando tempo suficiente para encontrar seu próprio desejo debaixo do travesseiro. Sentiu-o. Segurou a lâmina reluzente, e numa última estocada, apunhalou o pescoço pecaminoso da moça, interrompendo o mais animalesco dos orgasmos, empurrando de volta à seus pulmões frios o resto do ar que ela insistia em soltar. A palidez tomou conta da face de ambos, enquanto do rosto de um deles, escapavam tosses de sangue, sujando os lábios agora roxos, e fazendo o mais belo contraste com sua face alva. As tosses prosseguiam. Sempre ritmadas. Cada vez mais lentas.
O rapaz aguardou a morte da garota antes de terminar seu próprio ato sexual, agora sombrio e mórbido. Proferiu seu próprio suspiro, e deitou ao lado do cadáver.
A Volúpia luxuriosa encerrou sua dança, se dirigiu até a porta, abriu-a. Observou a Vingança entrar devagar, deu-lhe boas vindas e saiu, a passos largos".



-It seems so unlikely in this day and age-.