É comum ter medo do novo, tão comum quanto ter vontade de esquecer o velho. Não sei definir se é um paradoxo, para mim são duas coisas totalmente distintas. Sempre pensei que há um 'ponto de compensação' na nossa vida, sabe, podemos ficar entre o velho e o novo, podemos simplesmente ficar.
Claro, é o jeito mais chato de viver.
À parte disso, queremos esquecer o velho justamente porque é velho e gasto, já não é mais confortante. É só chato. E o novo... bom, é novo, não dá pra saber o que esperar, e por mais convidativo que pareça sempre ficamos com um pé atrás.
Mas, por favor, se alguém estiver lendo. Vamos viver logo o novo, porque o velho já deu no saco.
Adoro escrever coisas óbvias.
"'Você vem?' A pergunta tinha uma musicalidade sublime nos ouvidos da garota. Aguçava ainda mais seu sentimento impetuoso, suas loucuras. Se segurou, mas sabia que não aguentaria muito mais. 'Pra onde?' perguntou. O rapaz chegou um pouco mais perto, e colocou carinhosamente a mão em seu pescoço, alisando os cabelos que lhe cobriam a nuca. Os pelos de seu corpo gritaram, desconcertados. 'Comigo' ele respondeu. Pronto. Lá estava ela, a um passo da perdição. Sabia que não era o certo, mas era impossível. A partir dali, o cenário do lado de fora do colégio deixou de ser calçada cinza e virou um plano de fundo onírico, entre o azul e o vermelho. Ela fechou os olhos e segurou um suspiro que ela sabia, seria longo demais. Tentou não pensar com o entre-as-pernas, tentou pensar com a cabeça, com a razão. Tentou. Se esforçou.
'Não posso' respondeu com um resmungo. Ele sorriu um sorriso amarelo, chegando um pouquinho mais perto. Não ia insistir, e ela sabia que ele não ia insistir. Ficaram por um minuto em silêncio, apenas a respiração ofegante da garota afagava o rapaz, enquanto a dele continuava completamente sóbria. 'É só uma criança' pensou. Sorriu amarelo de novo com o pensamento. 'Tudo bem então' disse por fim. Se aproximou do rosto da menina e deu-lhe um beijo no canto da boca. As pernas jovens e cor-de-rosa estremeceram e bambearam. Foi a despedida. Virou as costas e ainda deu-lhe uma última olhadela por cima do ombro, antes de seguir seu caminho, deixando a menina ali parada. A calçada retomava seus tons originais de cinza forte e bege desbotado, enquanto ela ficaria ali. Estática, úmida e perdida em seus próprios sonhos.
-Um sonho que acordado é muito mais que dormindo-.
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