Não é incomum pensarem que não ver o lado otimista da coisa é ser infeliz. Não vou dizer que é simplesmente ver a realidade, apesar de ser o que penso. Pra mim, não ver o lado otimista da coisa é não tentar achar soluções em demasiado. Lembro-me de ouvir alguém dizer que tentar explicar a vida é muito pior do que vivê-la (provavelmente quem disse isso queria dar um tom mais profundo à frase do que o que eu utilizei, mas ainda sim...). Sendo assim, não consigo nem imaginar quantas vezes é melhor deixar as coisas como estão do que tentar sintetizar todas as respostas do mundo numa única ação.
Covarde?
Um pouco.
Mas pelo menos estou tranquilo.
"'Agora' a voz da garota soou rouca e ofegante, oprimida pelo peso do garoto sobre seus seios. A volúpia luxuriosa dançava livremente por entre os poucos móveis do quarto sujo e velho. 'Quase, só mais um momento' a garota suplicava entre gemidos pelos movimentos repetitivos das ancas do rapaz, sempre ritmados, cada vez mais rápidos.
Ele não ousava proferir uma só lúcida palavra. Em seu corpo, o desejo massacrava qualquer tipo de razão, e tudo que se sobressaía era o roçar de suas mãos pela pele macia das curvas da jovem. O corpo que ele tocava jazia em completo êxtase, rígido, a não ser pelos lábios, que eram pressionados por seus dentes, contendo a chegada avassaladora de um gozo intenso.
Desistiu de segurar. A moça apertou as costas do rapaz e soltou um gemido alto e arrastado, deixando escapar todo o ar de seus pulmões. No corpo do rapaz, o desejo ainda massacrava a razão.
Em seu corpo. Mas não em sua mente.
Em sua mente, a idéia estava clara e cristalina, e a lucidez trabalhava sem descanso. O plano estava lá, fresco e decorado. Pegar o objeto debaixo do travesseiro, sob a cabeça dela. Era a parte difícil. O resto era simples.
Não parou as estocadas, prolongando o grito louco da garota, e lhe dando tempo suficiente para encontrar seu próprio desejo debaixo do travesseiro. Sentiu-o. Segurou a lâmina reluzente, e numa última estocada, apunhalou o pescoço pecaminoso da moça, interrompendo o mais animalesco dos orgasmos, empurrando de volta à seus pulmões frios o resto do ar que ela insistia em soltar. A palidez tomou conta da face de ambos, enquanto do rosto de um deles, escapavam tosses de sangue, sujando os lábios agora roxos, e fazendo o mais belo contraste com sua face alva. As tosses prosseguiam. Sempre ritmadas. Cada vez mais lentas.
O rapaz aguardou a morte da garota antes de terminar seu próprio ato sexual, agora sombrio e mórbido. Proferiu seu próprio suspiro, e deitou ao lado do cadáver.
A Volúpia luxuriosa encerrou sua dança, se dirigiu até a porta, abriu-a. Observou a Vingança entrar devagar, deu-lhe boas vindas e saiu, a passos largos".
-It seems so unlikely in this day and age-.
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