quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Don't go Away

A cada dia que passa tenho mais certeza: não sei lidar com a ausência de pessoas.
Bem fortunado foi aquele que um dia concluiu por experiência própria que um homem trabalha melhor sozinho.

"A janela imensa mostrava um céu pouco estrelado. A noite era escura, óbviamente, tão escura quanto o sentimento que rondava o corpo dela. Olhos vidrados na janela imensa, que mostrava o céu pouco estrelado. Sua blusa branca mostrava algumas lágrimas fujonas que caíram minutos atrás, mas agora eram passado, apenas lembraças. Lembranças, era isso que ela teria. Pouco tempo parece tempo demais quando a noite é escura, e era o caso daquela. A janela imensa mostrava um céu pouco estrelado, disso ela já sabia, mas queria ter certeza do que viria no dia seguinte. Sem estrelas, claro, mas como estaria o sol. Desistiu de pensar.
Aquelas lembranças pouco estreladas deixaram o céu escuro, dados os sentimentos também pouco estrelados que rondavam pelo corpo dela. Era impossível acreditar que estava acontecendo, era como uma tragédia anunciada que finalmente veio a se concretizar. Mais lágrimas escruras. Olhou mais uma vez para o céu escuro, com estrelas fujonas, que a janela de sentimentos mostrava. Já não olhava para fora, olhava para dentro. Era difícil seguir uma linha de raciocínio, é verdade. As palavras pareciam não se encaixar, estavam escuras e pouco estreladas. Sua blusa negra tinha algumas marcas de estrelas, mas não brilhava, óbviamente. Lembrou que um dia prometeu esquecer de tudo, e isso tentou fazer. Estava caminhando bem, até o momento em que a janela estrelada mostrou na noite, não tão branca quanto sua blusa, um avião fujão. O avião decolou, olhou sentimentalmente para a garota e se foi, levando suas lembranças. Levando boa parte das coisas pela qual ela sempre lutara. As lágrimas fujonas saíram ainda mais negras. Ela resolveu se levantar.
Agora, a janela imensa mostrava apenas um céu pouco estrelado. A noite era escura, óbviamente.
Tão escura quanto o sentimento que rondava o corpo dela"


-And I miss you, and I need you... I do.-

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

How To Disappear Completely

Sinto como se estivesse sendo afagado por um milhão de abraços queridos. O problema é que eles me sufocam.


“Sufoco. Forte. Desgastante. Minha vontade é fazer algo somente com substantivos e adjetivos. Não devo. Não me importo. Nunca me importo. Pontos. Paro, tentando respirar. Difícil. Tateio o escuro, e encontro tudo o que não procuro. Não encontro nada. Sinto escuridão completa. Completa, repito. Escuridão de luz, de ar, de vida. Escuridão de sono. Pausa. Outra respiração. Tento andar. Sufoco aumenta. Arrepio, agudo. Não ouso me virar. Medo. Meus pés parecem se arrastar lentamente. Eu os comando. Outra pausa. Penso ouvir algum som. Escuridão, também de som. Tateio novamente, encontro algo macio. Cama, penso. Ou não. Leito. Leito de morte. Arrepio novamente, desisto da idéia. Nem era uma idéia. Não reflito mais. Pausa. Continua a parar, ou paro de continuar. Me deito, com cuidado. Descuidado. Escuridão me consome, e não só a mim. Não sei mais a quem, mas sei que não só a mim. Uma última pausa, tentando tragar os resquícios de ar profundamente. Um pensamento, e apenas um. Sufoco. Forte. Desgastante.
E eu nem ao menos sei o que há de errado”.

-But I'm getting so tired of people always crossing my wires-.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Conflitos Existenciais

Eis que paro e penso como me irrita quem tenta me mandar o que fazer. 'Pessoa arrogante', podem pensar. Não é essa a questão. Conselho é uma coisa, cuidar da vida dos outros é outra. Me irrito sempre que ouço alguém dando pitaco onte não deve, e isso vem acontecendo frequentimente ao longo da semana. 'faça isso, faça aquilo, mimimi'.
Bah, Cansei de me irritar, no fim das contas. Entra por um ouvido e sai pelo outro, sei o que faço.

Ou será que as pessoas estão certas? Vai saber...

"A porta se recusava a fechar. Eu tentava de todas as maneiras, e aquela porra se mantinha no mesmo lugar. Estava me irritando. Tenho certeza que vocês sabem como é, quando a porta resolve encostar e não fechar completamente, fica aquele ar de trabalho mal feito. Odeio.
Tentava de todas as maneiras, empurrava com força, tentava com jeitinho, mas nada. A porta parecia raspar no chão, como se uma das dobradiças tivesse caído, fazendo com que a maldita se deslocasse um pouco para baixo, mas as duas dobradiças estavam em perfeito estado. Parei para pensar. Uma idéia é colocar uma cadeira na maçaneta, como nos desenhos animados. Fui atrás, peguei a cadeira, mas ela não encaixava o suficiente na maçaneta de modo que ficasse parada, sempre caía. Desisti após a terceira queda. Empurrei mais um pouco. Nada. Abri e tentei bater. Nada, travou exatamente no mesmo lugar.
Bufei. Prometi para mim mesmo nunca mais usar a expressão ‘você é uma porta’ para uma pessoa burra, pois a porta estava simplesmente me dando uma lavada. Chutei. Nada, além de um machucado no pé e um barulho de madeira raspando no chão, tão agudo que me doeu os ouvidos. Sentei na cadeira que inicialmente peguei para colocar na maçaneta. Respirei fundo e levantei.
Abri a porta. E aberta ficou. "


-Pare de falar antes que eu enlouqueça.-

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Viva la Vida

O futuro parece nebuloso ou você que está com os olhos fechados? Ok, sem auto-ajuda hoje.
Vou contar: Gosto de momentos da minha vida onde tudo está muito intenso, para o bem ou para o mau. não tem exatamente muita graça ficar esperando a vida passar, ficar esperando as coisas acontecerem. Legal não é ficar sob a ameaça de ficar na merda. Legal é se enfiar na merda e passar na cara!


Claro que, se der pra ficar limpinho a gente prefere, né?

"Não são poucos os momentos em que abrimos sem pretenções a janela de nosso quarto e nos deparamos com água. O barulho da chuva caindo sobre a cidade ao mesmo tempo castiga e afaga nossos ouvidos, e podemos demorar um tempo na janela, sem saber exatamente porque. Chuva é plural, nenhuma é igual à outra, há aquela chuva que cai rapidamente, apenas alguns pingos que não molham, incomodam. Está tudo claro, lúcido, nossa vida soa constante e sem emoções. Não são esses os melhores momentos. Os melhores momentos são aqueles em que nossa vida está turbulenta, nos leva à lugares que não imaginamos, nos conforta mas também nos machuca. Aqueles momentos que perdemos qualquer sentido de lucidez e nos entregamos completamente ao que der e ao que vier, inconsequentimente. A chuva está muito forte, e venta, tudo parece mais denso e é impossível olhar em frente. É impossível enxergar o futuro, é possível apenas enxergar o que está à um palmo de nossos narizes. E o que está ali, são os momentos. É intenso. Nem bom, nem ruim, apenas Intenso. É com essa chuva que nos deparamos com nós mesmos.
É com essa chuva que nos deparamos com o inexplicável."

->With a little help from my friend.
boa Pires =]



-Chega a hora então de provar tudo que existe.-

sábado, 8 de agosto de 2009

If Only

Já disse uma vez que um sorriso, às vezes basta pra tudo, às vezes parece ser a coisa mais vazia do mundo. Qualquer coisinha serve pra deixar as coisas melhores, ou não. O fato é que, aprendi nesses últimos tempos que temos que nos preocupar com o que é simples e essencial. Acho que no fundo só o que é simples é essencial. Piegas, sei bem.
Se temos que viver a vida intensamente, temos que tornar tudo intenso. Assim como os dias, que temos que decidir se vai ser bom ou ruim no começo, temos que decidir o quão intenso as coisas vão ser antes delas acontecerem. Por mais que não sejam, temos que tentar até o fim.
Ah, mas esse blog até parece auto-ajuda!


"O evento era ir pra casa de um amigo que acabara de se mudar para um prédio novo, numa área conhecida da cidade. Fui, sem muito pra onde ir numa quarta feira de férias. Havíamos andado um bocado, e uma ladeira nada convidativa estava bem à nossa frente. O relógio marcava mais ou menos oito horas da noite.
“Agora a gente sobe, disse meu amigo quase com entusiasmo”. Dei um sorriso irônico, e fomos. É verdade que conhecíamos a parte da cidade, pelo menos uma ou duas ruas para trás e para frente, mas nunca havíamos estado ali, naquele espaço. A real história era que meu amigo passava por um momento que parecia difícil, mas seu rosto não estampava tal sentimento.
Chegamos no prédio. Subimos. O apartamento era pequeno, mas aconchegante. Era quase sem móveis, tirando o sofá improvisado, uma mesinha e uma rede. Uma pequena televisão estava encostada, em cima de um móvel minúsculo. Meu amigo abriu um sorriso de orelha a orelha ao deitar na rede.
“E então, que achou?” Perguntou. Hesitei. Suspirei, tentando absorver o amplexo que sentia no momento, era como se o ambiente me abraçasse. “Pequeno e feliz!” Respondi por fim, com satisfação. E era, pequeno e feliz. Simples, mas parecia não faltar mais nada. Meu amigo, radiante como estava tornava as coisas ainda mais simples.
“Meu pai está pensando em colocar um armário pequenininho aqui” Continuava ele, na cozinha “E essa mesinha foi ele quem fez. Legal, né?” Assenti. Paramos por um segundo na minúscula cozinha, como se esperando algo acontecer. Meu amigo virou as costas, sem que eu percebesse e voltou para a sala. O encontrei olhando pela janela.
“E o melhor, não tem quase prédios na frente desde”. Olhei. Pensei em concordar, claro, o sentimento que tínhamos era de não haver nenhum prédio na frente, mas era possível olhar apenas três fileiras de casas, e então era impossível ver o horizonte. Ainda sim, para São Paulo, três fileiras de casas era um triunfo e tanto.
“É mesmo”, resolvi dizer. Ele olhou para o céu e comentou “Tem até uma lua cheia!” Disse, como uma criança, como se a lua fizesse parte daquele pedacinho de universo. Segui seu olhar. A lua estava mais cheia do que nunca, e brilhante como eu nunca vira, tanto que era possível iluminar todo o apartamento, se apagássemos as luzes. Ficamos ali, a contemplá-la por alguns segundos, e logo nos voltamos para o apartamento.
“Parece que vai dar tudo certo, não acha?” Perguntei ao meu amigo. Ele assentiu com outro sorriso, e deitou na rede, tranqüilo com tudo o que tinha. “Tenho certeza”, respondeu. Relaxei no sofá improvisado. O apartamento parecia me abraçar mais do que nunca.
A lua, cheia como nunca, sorria para nós lá de fora, e numa última olhada, pude ouvir meu amigo num sussurro, repetir.
“Tenho certeza.”"


-You know how lucky you are, boy.-

Vision of Division

Às vezes, nós mesmo acabamos por inventar barreiras em nossas vidas. Barreiras que nos impedem de ver coisas que realmente importam, barreiras que nos afastam de pessoas, barreiras que bloqueiam nossos pensamentos (o que é no mínimo inusitado, partindo do ponto que são esses pensamentos os responsáveis pela criação desses muros).
Dizem que apenas quem constrói um pensamento é capaz de destruí-lo. Concordo em partes, o que também não quer dizer que discordo. Só penso que se nós mesmos construímos essas barreiras, cabe a nós quebrá-las. E então enxergar, não só o óbvio, mas também além dele.

"Há pouco, notei a presença de um portão na vila em frente a minha casa, daqueles de garagem mesmo. Claro, toda vila tem um portão, sempre estranhei o fato dessa não ter, mas entendia o fato pois sabia como as casinhas que lá haviam era no mínimo bem humildes. É hábito meu, olhar pela janela. Voltei lá na madrugada daquele dia. O portão ainda estava aberto, para meu espanto. A primeira vez que notei sua presença era um fim de tarde, acabara de voltar de viagem. Ficara fora tempo o suficiente para aquele portão ter sido construido. Estava aberto, era dia. Estranhei mesmo assim. De que servia um portão aberto? Não me demorei no raciocínio, fechei a janela num impulso.
Certa vez, dirigi novamente o olhar para o lugar em questão. Um homem ia vila adentro, passando pela entrada como se não houvesse portão nenhum, passeando com seu cachorro. Claro, não havia na verdade nenhum portão. O fato dele estar lá era só um detalhe, um portão aberto não tem exata utilidade, como já foi dito.
Desde então, olho pela minha janela a fim de averiguar se o portão algum dia vai estar fechado. Tal dia ainda não chegou, mas não desisto, sempre me demoro um pouco olhando fixamente para a entrada da vila. Nada. As pessoas vão e vem, livremente, entram e saem. Nunca ouvi dizer de nada que tenha perturbado a ordem naquele pedaço de mundo, mas o fato daquele portão invadir meu campo de visão me incomodava. A idéia de não haver nenhum portão, de verdade, fazia minha cabeça latejar, refletia por horas sobre tal fato, com o vento batendo em meu rosto. Demorei um pouco para perceber. O portão não estava mesmo lá. Era incrível como naquele momento a frase realmente entrara em minha mente. Um portão que servia para barrar pessoas, atitudes, sentimentos, não tinha lugar nessa ruelinha. Mas se fazia presente, para qualquer efeito, se algo acontecesse, ele estaria pronto para se fechar. Ou não, ou a vila estaria sempre aberta para todo tipo de gente, todo tipo de gênio, todo tipo de pensamento. Não é possível que haja um lugar assim, pelo menos não nessa cidade, pensei. Fechei a janela
No dia seguinte, acordei com um pensamento. Levantei de um salto, coloquei a primeira muda de roupas que encontrei, e desci. Atravessei a rua calmamente para saber o que havia por trás daquele portão, o que havia naquela vila. Estava chegando perto, cada vez mais perto. Quando estava prestes a entrar, notei.
Um homem ia vila adentro, passando pela entrada como se não houvesse portão nenhum, passeando com seu cachorro.
E obviamente, não havia mesmo portão nenhum."


- Não diga que a canção está perdida. -

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Day Tripper

Sempre há aqueles dias que, por mais que dê tudo certo parece que alguma coisa está faltando. É incrível, como um simples sorriso, algumas vezes é suficiente, mas muitas vezes não faz exata diferença.
Gosto de pensar uma coisa: Nós decidimos se o dia vai ser bom ou ruim. Claro, parece óbvio, mas quando paramos pra pensar em quantas vezes esperamos o dia passar pra decidir como foi, veremos que não é tão óbvio assim. Devíamos simplesmente acordar e pensar 'hoje, farei do meu dia o melhor', e lutar por isso, não esperar as coisas acontecerem. We choose our own lucky, já diriao zé do Batman.
Acho que simplesmente acordei hoje e não pensei que o dia seria bom, e foi no que deu.
Não importa.



"Podiam banir os domingos da semana. Domingo é um dia que é fim e é começo. Esperamos a semana inteira até que chegue a sexta-feira, dormimos até mais tarde no sábado e aí vem o domingo. O grande problema dos domingos é o fato de querermos nos poupar para segunda-feira. Aí mora o perigo.
Queremos nos poupar para segunda-feira, isso já vira um convite ao ócio. Sentados no sofá, procuramos algo na televisão, ou tentamos ler um livro para o tempo passar. Por enquanto, sem problemas. Mas o domingo é tratante, e resolve se encompridar demais, fazendo todas as atividades ficarem chatas e entediantes, enquanto ele continua lá, firme e forte.
Então podemos decidir dar uma volta, mas até mesmo a cidade parece vazia em suas ruas, a não ser pelas outras milhões de pessoas que também andam cabisbaixas, também esperando o domingo passar. Acabamos por voltar para casa, expulso das ruas por Ele. Quando menos esperamos, ele se apoderou de nós. Ficamos aterrorizados com a música do ‘Fantástico’ e a mesmice dos programas de futebol noturnos. Procuramos desesperadamente algo para passar o tempo, mas quando finalmente encontramos, não há mais tempo.
Olhamos no relógio, até nos darmos conta que já passa da uma da manhã. Largamos a atividade que iríamos começar e nos arrumamos para deitar. Antes de dormir, damos mais uma ligeira olhada no relógio e concluímos:
Já é segunda-feira. O dia mais longe do próximo domingo."

-Another sunny afternoon-

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Somedays

Não sei bem o que aconteceu ou o que vai acontecer. Faço isso agora, pra ver no futuro, e tentar entender o passado. Funciona assim. Qualquer coisa escrita, e um texto pra ilustrar essa qualquer coisa. Não importa muito, anyway.

Saudades, é aquela coisa que só existe em português, pelo menos em sua forma concreta de palavra. Mas saudades é mais que isso, saudades se esvai no ar. Saudades fica como um peso invisível e impossível de aturar. Saudades é mais que concreto, é abstrato. E na sua forma abstrata, mais pura de todas, existe em todas as línguas, em todas as pessoas. Todas as pessoas tem um presente, e todas terão um futuro.
Terão, sim, mas apenas por algum dia, terem vivido um passado do qual se orgulham.


"Há pouco, descobri que 'outono', em inglês, é 'fall'. 'Fall', verbo 'cair', provavelmente por causa das folhas que caem. Era outono. A tarde parecia não passar, e o sol estava na mesma posição há muito tempo. Não queria estar ali, realmente, a única coisa que conseguia chamar minha atenção além do sol e do frio eram as folhas. Não sei nem se poderia chamar de folhas, já haviam caído. Agora eram restos, restos que um dia foram vida. Foram folhas e agora eram morte. Acabei por lembrar-me de tudo. Lembrei-me do que passou, das coisas como eram, de como era tranquilo, de como era fácil não pensar no futuro. Futuro. Nunca imaginei que estaria ali, naquela tarde de outono, vendo ex-folhas. Olhava pro passado, maravilhado, nostálgico. Pensei em minha vida. Não era mais vida. Foi vida, agora era morte, como as folhas. Talvez por isso me identificasse. O sol já estava quase todo atrás do mar, tentei me levantar. Eu já não tinha forças. Lágrimas de memórias começaram a rolar por minha face. Desisti de me manter em pé, me deixei levar, me deixei cair. Fall.
E então, o sol se pôs".



-E se passou, passou. Daqui, pra melhor.-