Sinto como se estivesse sendo afagado por um milhão de abraços queridos. O problema é que eles me sufocam.
“Sufoco. Forte. Desgastante. Minha vontade é fazer algo somente com substantivos e adjetivos. Não devo. Não me importo. Nunca me importo. Pontos. Paro, tentando respirar. Difícil. Tateio o escuro, e encontro tudo o que não procuro. Não encontro nada. Sinto escuridão completa. Completa, repito. Escuridão de luz, de ar, de vida. Escuridão de sono. Pausa. Outra respiração. Tento andar. Sufoco aumenta. Arrepio, agudo. Não ouso me virar. Medo. Meus pés parecem se arrastar lentamente. Eu os comando. Outra pausa. Penso ouvir algum som. Escuridão, também de som. Tateio novamente, encontro algo macio. Cama, penso. Ou não. Leito. Leito de morte. Arrepio novamente, desisto da idéia. Nem era uma idéia. Não reflito mais. Pausa. Continua a parar, ou paro de continuar. Me deito, com cuidado. Descuidado. Escuridão me consome, e não só a mim. Não sei mais a quem, mas sei que não só a mim. Uma última pausa, tentando tragar os resquícios de ar profundamente. Um pensamento, e apenas um. Sufoco. Forte. Desgastante.
E eu nem ao menos sei o que há de errado”.
-But I'm getting so tired of people always crossing my wires-.
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