Não sei bem o que aconteceu ou o que vai acontecer. Faço isso agora, pra ver no futuro, e tentar entender o passado. Funciona assim. Qualquer coisa escrita, e um texto pra ilustrar essa qualquer coisa. Não importa muito, anyway.
Saudades, é aquela coisa que só existe em português, pelo menos em sua forma concreta de palavra. Mas saudades é mais que isso, saudades se esvai no ar. Saudades fica como um peso invisível e impossível de aturar. Saudades é mais que concreto, é abstrato. E na sua forma abstrata, mais pura de todas, existe em todas as línguas, em todas as pessoas. Todas as pessoas tem um presente, e todas terão um futuro.
Terão, sim, mas apenas por algum dia, terem vivido um passado do qual se orgulham.
"Há pouco, descobri que 'outono', em inglês, é 'fall'. 'Fall', verbo 'cair', provavelmente por causa das folhas que caem. Era outono. A tarde parecia não passar, e o sol estava na mesma posição há muito tempo. Não queria estar ali, realmente, a única coisa que conseguia chamar minha atenção além do sol e do frio eram as folhas. Não sei nem se poderia chamar de folhas, já haviam caído. Agora eram restos, restos que um dia foram vida. Foram folhas e agora eram morte. Acabei por lembrar-me de tudo. Lembrei-me do que passou, das coisas como eram, de como era tranquilo, de como era fácil não pensar no futuro. Futuro. Nunca imaginei que estaria ali, naquela tarde de outono, vendo ex-folhas. Olhava pro passado, maravilhado, nostálgico. Pensei em minha vida. Não era mais vida. Foi vida, agora era morte, como as folhas. Talvez por isso me identificasse. O sol já estava quase todo atrás do mar, tentei me levantar. Eu já não tinha forças. Lágrimas de memórias começaram a rolar por minha face. Desisti de me manter em pé, me deixei levar, me deixei cair. Fall.
E então, o sol se pôs".
-E se passou, passou. Daqui, pra melhor.-
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