sábado, 8 de agosto de 2009

Vision of Division

Às vezes, nós mesmo acabamos por inventar barreiras em nossas vidas. Barreiras que nos impedem de ver coisas que realmente importam, barreiras que nos afastam de pessoas, barreiras que bloqueiam nossos pensamentos (o que é no mínimo inusitado, partindo do ponto que são esses pensamentos os responsáveis pela criação desses muros).
Dizem que apenas quem constrói um pensamento é capaz de destruí-lo. Concordo em partes, o que também não quer dizer que discordo. Só penso que se nós mesmos construímos essas barreiras, cabe a nós quebrá-las. E então enxergar, não só o óbvio, mas também além dele.

"Há pouco, notei a presença de um portão na vila em frente a minha casa, daqueles de garagem mesmo. Claro, toda vila tem um portão, sempre estranhei o fato dessa não ter, mas entendia o fato pois sabia como as casinhas que lá haviam era no mínimo bem humildes. É hábito meu, olhar pela janela. Voltei lá na madrugada daquele dia. O portão ainda estava aberto, para meu espanto. A primeira vez que notei sua presença era um fim de tarde, acabara de voltar de viagem. Ficara fora tempo o suficiente para aquele portão ter sido construido. Estava aberto, era dia. Estranhei mesmo assim. De que servia um portão aberto? Não me demorei no raciocínio, fechei a janela num impulso.
Certa vez, dirigi novamente o olhar para o lugar em questão. Um homem ia vila adentro, passando pela entrada como se não houvesse portão nenhum, passeando com seu cachorro. Claro, não havia na verdade nenhum portão. O fato dele estar lá era só um detalhe, um portão aberto não tem exata utilidade, como já foi dito.
Desde então, olho pela minha janela a fim de averiguar se o portão algum dia vai estar fechado. Tal dia ainda não chegou, mas não desisto, sempre me demoro um pouco olhando fixamente para a entrada da vila. Nada. As pessoas vão e vem, livremente, entram e saem. Nunca ouvi dizer de nada que tenha perturbado a ordem naquele pedaço de mundo, mas o fato daquele portão invadir meu campo de visão me incomodava. A idéia de não haver nenhum portão, de verdade, fazia minha cabeça latejar, refletia por horas sobre tal fato, com o vento batendo em meu rosto. Demorei um pouco para perceber. O portão não estava mesmo lá. Era incrível como naquele momento a frase realmente entrara em minha mente. Um portão que servia para barrar pessoas, atitudes, sentimentos, não tinha lugar nessa ruelinha. Mas se fazia presente, para qualquer efeito, se algo acontecesse, ele estaria pronto para se fechar. Ou não, ou a vila estaria sempre aberta para todo tipo de gente, todo tipo de gênio, todo tipo de pensamento. Não é possível que haja um lugar assim, pelo menos não nessa cidade, pensei. Fechei a janela
No dia seguinte, acordei com um pensamento. Levantei de um salto, coloquei a primeira muda de roupas que encontrei, e desci. Atravessei a rua calmamente para saber o que havia por trás daquele portão, o que havia naquela vila. Estava chegando perto, cada vez mais perto. Quando estava prestes a entrar, notei.
Um homem ia vila adentro, passando pela entrada como se não houvesse portão nenhum, passeando com seu cachorro.
E obviamente, não havia mesmo portão nenhum."


- Não diga que a canção está perdida. -

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