sábado, 8 de agosto de 2009

If Only

Já disse uma vez que um sorriso, às vezes basta pra tudo, às vezes parece ser a coisa mais vazia do mundo. Qualquer coisinha serve pra deixar as coisas melhores, ou não. O fato é que, aprendi nesses últimos tempos que temos que nos preocupar com o que é simples e essencial. Acho que no fundo só o que é simples é essencial. Piegas, sei bem.
Se temos que viver a vida intensamente, temos que tornar tudo intenso. Assim como os dias, que temos que decidir se vai ser bom ou ruim no começo, temos que decidir o quão intenso as coisas vão ser antes delas acontecerem. Por mais que não sejam, temos que tentar até o fim.
Ah, mas esse blog até parece auto-ajuda!


"O evento era ir pra casa de um amigo que acabara de se mudar para um prédio novo, numa área conhecida da cidade. Fui, sem muito pra onde ir numa quarta feira de férias. Havíamos andado um bocado, e uma ladeira nada convidativa estava bem à nossa frente. O relógio marcava mais ou menos oito horas da noite.
“Agora a gente sobe, disse meu amigo quase com entusiasmo”. Dei um sorriso irônico, e fomos. É verdade que conhecíamos a parte da cidade, pelo menos uma ou duas ruas para trás e para frente, mas nunca havíamos estado ali, naquele espaço. A real história era que meu amigo passava por um momento que parecia difícil, mas seu rosto não estampava tal sentimento.
Chegamos no prédio. Subimos. O apartamento era pequeno, mas aconchegante. Era quase sem móveis, tirando o sofá improvisado, uma mesinha e uma rede. Uma pequena televisão estava encostada, em cima de um móvel minúsculo. Meu amigo abriu um sorriso de orelha a orelha ao deitar na rede.
“E então, que achou?” Perguntou. Hesitei. Suspirei, tentando absorver o amplexo que sentia no momento, era como se o ambiente me abraçasse. “Pequeno e feliz!” Respondi por fim, com satisfação. E era, pequeno e feliz. Simples, mas parecia não faltar mais nada. Meu amigo, radiante como estava tornava as coisas ainda mais simples.
“Meu pai está pensando em colocar um armário pequenininho aqui” Continuava ele, na cozinha “E essa mesinha foi ele quem fez. Legal, né?” Assenti. Paramos por um segundo na minúscula cozinha, como se esperando algo acontecer. Meu amigo virou as costas, sem que eu percebesse e voltou para a sala. O encontrei olhando pela janela.
“E o melhor, não tem quase prédios na frente desde”. Olhei. Pensei em concordar, claro, o sentimento que tínhamos era de não haver nenhum prédio na frente, mas era possível olhar apenas três fileiras de casas, e então era impossível ver o horizonte. Ainda sim, para São Paulo, três fileiras de casas era um triunfo e tanto.
“É mesmo”, resolvi dizer. Ele olhou para o céu e comentou “Tem até uma lua cheia!” Disse, como uma criança, como se a lua fizesse parte daquele pedacinho de universo. Segui seu olhar. A lua estava mais cheia do que nunca, e brilhante como eu nunca vira, tanto que era possível iluminar todo o apartamento, se apagássemos as luzes. Ficamos ali, a contemplá-la por alguns segundos, e logo nos voltamos para o apartamento.
“Parece que vai dar tudo certo, não acha?” Perguntei ao meu amigo. Ele assentiu com outro sorriso, e deitou na rede, tranqüilo com tudo o que tinha. “Tenho certeza”, respondeu. Relaxei no sofá improvisado. O apartamento parecia me abraçar mais do que nunca.
A lua, cheia como nunca, sorria para nós lá de fora, e numa última olhada, pude ouvir meu amigo num sussurro, repetir.
“Tenho certeza.”"


-You know how lucky you are, boy.-

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