quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Dustland Fairytale

Não adianta lamentar, dizer que não é como era pra ser. Eu pelo menos acho que não. Mesmo porque, se está assim, provavelmente era mesmo pra ser assim. Não importa.

Na verdade, hoje é quase uma resposta.



"'Mas não existe ninguém que olhe uns dois anos pra trás e não se ache um completo idiota'. Não me espantei com a frase, ainda mais vindo de um certo amigo, famoso por suas colocações. É uma meia verdade, pensei. Sai da roda de conversa e voltei andando pra casa aquele dia. Pensei em mim há dois anos atrás. Como eu imaginei, surgiu na minha cabeça a constatação: 'que completo idiota'. Não pelo que pensava, mas pelo jeito como agia. Claro que depois disso me deu um certo arrependimento de pensar assim. Comecei a me comparar. Eu era um sonhador, definitivamente ainda maior do que sou hoje, era um revolucionário (pelo menos no que se dizia respeito a mim mesmo). Era o oposto, era o contrário do contrário do espelho dessa sociedade. Era eu, e isso bastava. E agora? Agora não sou mais eu? Ou agora meu Eu virou 'Eles todos'?
Apertei um pouco o passo. A rua agora parecia me sufocar com todas suas ideias e razões e modos de pensar. Olhava para os lados na esperança de encontrar alguém que talvez pensasse como eu. Idiotice, todos pensavam como eu porque eu pensava como todo mundo. Apertei o passo um pouco mais, minha cabeça rodava de indignação, indignação de constatar tarde demais que a roda vida me consumia. Passei a olhar para o chão e trombei com um homem engravatado. 'Desculpe', balbuciei. Sem resposta, talvez não estivesse ouvindo. Com certeza não estava ouvindo. Uma vontade repentina de voltar a ser o completo idiota que eu era há dois anos atrás assolou minhas entranhas. Voltei a fitar o chão e a andar cada vez mais rápido, até me ver correndo, quase arfando, fitando todo o lixo que havia na calçada da minha existência. Trombei com mais duas ou três pessoas, já não importava mais. Não levantaria a cabeça por nada naquele mundo.
A não ser que fosse aquele par de all star.
Era branco e comum. Eu continuava olhando pra baixo, fitando-o. Subi um pouco o rosto, conseguindo ver a barra do jeans surrado. O corpo a minha frente me impedia de continuar a corrida. Estava parado, assim como eu. Não. Eu estava estático.
'O que você tem?' ela perguntou, com uma voz quase preocupada. Subi a visão e olhei seu rosto pela primeira vez. 'Hein?' ela insistiu. Quis falar, quis mostrar toda minha raiva do mundo, quis mostrar a completa idiotice que provavelmente seria sua vida, quis mostrar como não temos escolha a não ser impulsionar por mais alguns anos essa maldita roda da fortuna que chamamos de 'Terra'. 'Não sei', foi o que consegui responder. A menina sorriu. 'Vamos tomar um sorvete? Minha mãe disse que no frio faz menos mal que no calor'. Sorri de volta. Minha cabeça ficou vazia de pensamentos ao pensar na massa gelada a minha espera. 'Claro', assenti. Naquele momento, eu sabia que tomar um sorvete com aquele par de all star era exatamente o que eu tinha que fazer.
Preocupação. Acho que essa é a verdadeira 'falta' que nos sobra.






-This is the world that we live in.-

terça-feira, 29 de junho de 2010

You Could Have it So Much Better

Uma hora as coisas param, ficam estagnadas. Seja a euforia de uma copa do mundo, seja a euforia de um amor que ainda engatinha, sejam as desavenças amareladas pelo tempo. Uma hora nada disso mais importa, os assuntos mal resolvidos continuam não resolvidos e já não nos importamos com isso.
Acho que é isso que chamam 'amadurecimento'.



"'É hora de arrumar sua própria bagunça'. A figura conhecida repetia exaustivamente a frase. Era um sonho, disso eu tinha certeza, até podia sentir as bordas de meu campo de visão um pouco embranquecidas, fazendo a cena ganhar um ar um tanto quanto 'celestial'. 'É hora de arrumar sua própria bagunça'. O garoto disse mais uma vez. Já estava ficando desconcertado. Havia assentido da primeira vez, mas parecia que a mensagem não parava por ali e eu não estava conseguindo entender. 'Que bagunça?' perguntei. A figura riu, me deixando em um misto de raiva e constrangimento.'Sua bagunça, tudo aquilo que está em suspenso. As discussões, as respostas, os pensamentos. É hora de colocar tudo onde deveria estar, as coisas não podem ficar como estão'. Entendi. Os últimos meses se projetaram na minha mente, parecendo imaturos e pobres. Tive raiva, do que fiz e do que não fiz. Não havia nada que me trouxesse mais desgosto no mundo do que lembrar daquele passado. 'O que eu tenho que fazer?' perguntei determinado. 'Procure-os, converse com eles, brigue mais, se necessário. Arranje um final, mesmo que não agrade ao público.' 'Que público?' pensei. Pro inferno com o público. Procura-los? Jamais, não de novo. Sem mais brigas ou falsos entendimentos. 'Não.' Respondi ao menino à minha frente. 'Não?' eu o confundira. 'Como não?' 'Eu achei que fossem novos tempos.' expliquei. 'Novos tempos nos quais não importa mais o passado.' O garoto refletiu por um momento. 'Novos tempos?' ele ainda custava a entender. 'E não tem medo dos novos tempos?' 'Tenho, claro que tenho' respondi sincero. 'Mas já estou vivendo, não posso mais voltar atrás. Os tempos são sempre novos, a cada segundo, é anti-natural viver o passado.' O garoto pensou mais um momento e perguntou desconcertado 'E a sua bagunça?' 'Pro inferno com minha bagunça.' Aconteceu um sorriso solitário. Outro, logo em seguida. Os dois se encararam por um breve instante. 'Então está bem'. A figura do garoto foi se misturando vagarosamente às bordas brancas no canto dos meus olhos, cada vez mais, até tudo se perder em sua imensa branquidão, me fazendo acordar. Acordar para os novos tempos.



-Living is easy with eyes closed.-

domingo, 20 de junho de 2010

Pra Manter ou Mudar

Não dá MESMO pra ficar pensando que as coisas vão ser as mesmas pra todo sempre. Acho que o meu problema é pensar que nem as coisas boas devem durar por muito tempo. "Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.". Sempre gostei mais das coisas quando elas acabam, acho que tudo fica mais bonito quando acaba. Até o Michael Jackson xP

Sei que estou passando por uma mudança agora, e até que estou gostando disso haha. Só cuidado pra não quebrar a cara. Na verdade eu não funciono pensando no futuro, então vou só vivendo...
Perdi a hora, lamento.


"Do mesmo modo que foi, voltou. A rua estava um bastante mudada, a quantidade de prédios havia praticamente dobrado nos últimos anos, e as pequenas casinhas que fizeram parte de sua infância existiam apenas na memória. Andou mais alguns passos, olhando o entorno. Torceu o nariz. Sempre achou que edifícios não combinavam com ruas sem saída. Na verdade, a rua não era exatamente sem saída, mas terminava em uma pracinha, que por sua vez ficava em cima de um pequeno barranco. Era possível descer o barranco e chegar em uma rua próxima. Quando criança, fizera aquele trajeto dezenas de vezes, e era uma verdadeira aventura.
Andou até a praça. Os balanços que outrora o elevaram aos céus estava praticamente em cacos. A gangorras frias de metal agora haviam sido substituídas por outra, de plástico, com adesivos que indicavam à qual dos condomínios pertenciam, e as árvores, forradas de dizeres e juras de amor feitas com gizes coloridos, haviam sido raspadas. Apenas a grande seringueira ainda jazia imponente. Triste.
Girou o corpo, um pouco contrariado, e voltou à rua. Lembrou de quantas vezes havia ralado os joelhos brincando de pique, lembrou tão profundamente que lhe deu vontade de sentir o paralelepípedo quente em sua pele. Se abaixou, encostou a mão cuidadosamente no chão, e fechou os olhos. Uma energia lhe subiu pelo braço, até se instalar em seu peito, fazendo sentir cada momento vivido há anos atrás. Sorriu. Se levantou.
Havia apenas um sobrado conhecido na pequena alameda. Um sobrado que ele conhecia bem, e era seu destino. Suspirou um suspiro longo e começou a caminhar, pé-ante-pé. Parou em frente ao portão, tentando pensar no que estava por vir. Imaginou um abraço caloroso, talvez um choro de saudade, que não seria de todo ruim. Um pouco cinematográfico, mas não de todo o ruim. O sol se punha atrás da casa. Talvez fosse melhor se apressar. Tocou a campanhia, ansioso. Ouviu um barulho de maçaneta, e a porta se abriu soltando um grunhido leve. Depois disso, o que era porta virou surpresa.
'Achei que você nunca voltaria'. 'Eu também achei'. A frase veio acompanhada de um sorriso torto. 'A rua está bem diferente', ele tentava puxar qualquer assunto. 'Está. Fazem vinte anos que você partiu'. 'Fazem vinte minutos que voltei', retrucou ele, tímidamente triunfante. 'Voltou?' a pergunta era esperançosa. O homem assentiu, e a velha senhora se sentiu satisfeita. 'Quer entrar?' perguntou. O homem queria. Deu um passo a frente. Parou. Levantou o olhar em direção à velha. 'Sim. Obrigado, mãe'. 'Está tudo bem', ela respondeu disfarçando as lágrimas. Pelo menos naquele momento, todos os prédios haviam sumido, e só o que havia eram crianças brincando e correndo em meio às casas, balanças e gangorrar de metal e seringueira. Tudo parecia de volta ao seu lugar.
E o sol, calmamente, se punha atrás da casa".


-Tá todo mundo dançando a nostalgia do verão.-

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Hard to Explain

É incrível, as pessoas me surpreendem cada dia mais. Surpreendem a todos nós, acredito, quando você menos espera sai aquela frase da pessoa mais improvável do mundo, e você fica com ela na cabeça por horas.
Tá, nem aconteceu, mas gosto de pensar desse jeito. Parece que cada pessoa, por mais quieta que seja, sempre tem alguma coisa a cabeça que por algum motivo a gente iria gostar de ouvir. Gosto de pensar que por trás de todos os medos e preocupações de cada um há um cantinho onde é possível se abrigar se necessário.

Pensamento ingênuo? Talvez, mas quem disse que não é bela a ingenuidade?

"'Chama My heart'. A voz do garoto soou decisiva. As duas amigas, que há tempos tentavam sem sucesso descobrir o nome de uma música que ressonava em suas cabeças, olharam quase surpresas. 'O que?' perguntou a primeira, um pouco incrédula. 'My heart', respondeu o garoto, satisfeito. 'é o nome da música'. A garota que havia arriscado algumas palavras agora começava a entender a situação. 'Ah... obrigada', respondeu ela corajosa. A outra não parecia muito confortável com o que acontecia, e apoiava a cabeça na parede, com olhos um tanto quanto desconfiados. Mas a amiga foi ainda mais longe.
'Qual é o seu nome?' ela perguntou, já perdendo a cautela. O garoto respondeu. Ela retrucou 'Eu sou Bia' e sorriu um sorriso sincero. O silêncio acobertou-os por alguns momentos, até a garota começar novamente. 'E então? Você gosta?' 'Gosto?' perguntou o garoto quase sem entender. 'Da música'. 'Ah, claro. É, gosto' respondeu um pouco desconexo. 'É realmente muito boa'. A garota sorriu novamente. 'Eu costumava cantar com algumas amigas quando era mais nova'. A amiga de Bia parecia mais desconfortável do que nunca. O garoto era um estranho, e ela temia que seu nome aparecesse na conversa mais cedo ou mais tarde. Não aconteceu.
'Legal', respondeu o garoto. Agora ele e Bia já pareciam velhos amigos. Não pelo tanto que conversaram, mas pelo amplexo criado no lugar. De uma hora para a outra, o ar havia ficado muito menos rarefeito, e o frio que fazia naquela tardezinha de outono, muito mais ameno. Conversaram por mais algum tempo, sobre coisas como o frio na semana anterior, uma notícia de jornal e os resultados da copa do mundo. Passado algum tempo, o garoto decidiu.
'Tenho que ir'. 'E a gente nunca mais se encontra?' perguntou Bia. 'Ah, se encontra...'. O silêncio mais uma vez tomou conta, dessa vez quase desesperador com a promessa mal fundamentada. Desta vez, a ausência de som foi quebrada por algo inesperado.
'Quer voltar aqui amanhã?' Era a amiga de Bia quem falava. Tremia um pouco, e sentia seu coração bater três vezes mais rápido que o normal. As palavras saíram vomitadas, tanto, que até o garoto foi pego de surpresa.
'O que? Ah..., bom, amanhã... sim, porque não?'. Sorriu, um sorriso torto. 'Mesma hora?'. 'Mesma hora', respondeu Bia, tímidamente alegre. O garoto olhou para a menina calada, esperando-a assentir. 'Mesma hora', ela disse, baixinho. 'Então ok.' O garoto se deu por satisfeito, virou calmamente e passou a andar, de volta para o seu caminho. 'O que deu em você, ficou quieta o tempo inteiro!'. Bia estava quase indignada. 'Não sei', respondeu a outra. Sentiu um calafrio e por algum motivo queria muito que o amanhã chegasse. Parecia um pouco mais segura agora, prometeu a si mesma que não ia se calar no dia seguinte. 'Você tá bem? Qual é o problema?'. 'My heart', a garota respondeu. Bia entendeu. E não mais perguntou."




-'I'm please to meet you, hope you gess my name.-

terça-feira, 15 de junho de 2010

Somewhere Only We Know

Parecia feriado, juro.Claro, vocês devem saber como foi. Jogo do Brasil é sempre uma festa.
É estranho, mas copa do mundo às vezes me dá vontade de chorar. Acho que comoção nacional me dá vontade de chorar, seja para o bem ou não, e nada que cause maior comoção nacional do que copa do mundo.

Foda-se, a melhor parte, com certeza, são as três doses de futebol por dia =D


"Era o último dia da primavera, e era inacreditável o quanto andara. Provavelmente o dobro do que andara durante todo o inverno. Arfava, enquanto se apoiava no expesso tronco da velha seringueira. Tomou o último gole de água que restava em sua garrafa, e encostou-a no pé da árvore. Sentiu o líquido confortar novamente sua garganta até suas entranhas. Sentou, para uma vez mais observar a paisagem que lhe era velha conhecida. Era um meio de nada, ele devia frizar. O campo não era árido, as flores eram vistosas, principalmente quando vistas dessa perspeciva, estando bem perto delas. Só havia aquela árvore. E o céu. O céu azul era uma parte realmente importante.
Era o último dia da primavera. Recostado sobre o tronco, a garota agradeceu com um sorriso a tranquilide que poderia ter agora. Arrancou cuidadosamente uma das flores do chão ao seu lado. Era um misto de azul e rosa que ela nunca havia visto antes. O cheiro era menos intenso que o das outras, provavelmente por já estar quase morta naquele pedacinho de terreno. Resolveu colocá-la graciosamente atrás da orelha, de modo que se confundisse com seu cabelo. Sorriu, novamente.
Era o último dia da primaveira. O campo que a garota conhecia há tantos anos estava mais bonito do que nunca. Ela claro, dizia isso todas as vezes que conseguia escapar da cidade para se recostar ali. Fechou os olhos por um momento, começando o ritual de voltar a pensar em sua vida real. Odiava aquele momento, especialmente aquele. Não que não gostasse de sua vida, mas era sempre ruim voltar. E naquele dia tinha algo a mais.
Era o último dia da primaveira. O que lembrava que no dia seguinte seria verão. E alguns meses depois, outono, e o campo se desnudaria novamente. E sua vida com ele.
Ela odiava aquele momento, especialmente aquele. Mas não mais que o outono. Porque no outono, as flores e folhas caem, os ventos se tornam mais cortantes do que nunca e parece não haver meio de esquentar os pés.
Porque no Outono, tudo morre.
Tudo.
A garota abriu os olhos e suspirou. Levantou devagar e olho ao redor, o entorno que tanto conhecia, bem a tempo de ver que finalmene ele estava chegando, com um sorriso, aquele que ela gostava. Não resistiu e sorriu de volta. Correu na direção do garoto e o abraçou por alguns instantes, fechando os olhos. E quando tornou a abri-los, percebeu. O céu ainda estava azul e as flores ainda estavam lá.
Ainda era o último dia da primavera."


-How can you know it when you don't even try?-

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Duas Cores

Faz um tempão. E garanto, muita, muita coisa aconteceu, tanta que nem vale a pena listar. Não sei bem o motivo de voltar, talvez não volte pra mais nada além deste, mas agora vou escrever e pronto.
É um daqueles momentos estranhos em que sinto que qualquer brisa um pouco mais forte pudesse me carregar pra longe. Claramente, deve ser a melhor sensação do mundo, mas ainda tenho medo de onde essa brisa pode me levar. Medo de que se torne uma ventania descontrolada. Acho que acima de tudo, tenho medo que a ventania passe, e tudo volte a ser como era antes:
A mesma merda.


É, acho que essa brisa tem nome.


"Em sua cabeça, era certo que viver aquilo era certo. Era mais certo ainda que, o certo de sua cabeça não era o certo para a cabeça dos outros. Era certo também que ele já não aguentava mais essa discussão, em forma de milhões de moscas varejeiras, dentro de sua cabeça. Parou de andar por um momento e sentou em um banco qualquer. Frio, no máximo dez graus. Lembrou da luva esquecida em sua gaveta. Um calafrio percorreu sua espinha e ele subiu mais um pouco o ziper, fechando inteiramente a gola do casaco.
Fechou os olhos. Ele sabia que a pergunta viria novamente. "Será?". Quis espantar a dúvida, seu coração acelerou por um instante, mas logo voltou ao normal. Sabia que não valeria a pena gastar mais tempo pensando no que já estava decidido. Balançou a mão perto da cabeça, como se quisesse espantar as milhões de varejeiras que o incomodavam. Se deu por satisfeito por alguns segundos. Sua mente estava quase vazia.
Quase.
Começou a pensar na razão daquilo tudo. Lembrou de todos os quais teve que passar por cima para chegar onde estava agora. Provavelmente ficaria com má fama. Claro, entre pessoas com quem ele não se importava. Lembrou dela. Um sorriso invadiu seu rosto, e antes que as varejeiras pudessem se recompor, uma pequena borboleta roxa pousou bem ao seu lado no banco. Abriu e fechou as asas, como numa saudação silenciosa. O garoto tentou aproximar a mão, devagar. Ela se fechou, amedrontada, ameaçou voar. Não o fez. Ficou ali. Tremendo. Se acostumando. O garoto tentou novamente, dessa vez conseguiu chegar mais perto. Cuidadosamente, apoiou o dedo bem ao lado da pequena mancha roxa. A borboleta bateu as asas lenta e graciosamente, o suficiente para subir no dedo.
Ficaram ali alguns segundos, o garoto estava deslumbrado. Foi quando uma brisa cortou seu rosto. Fria, mas agradável. O fez sorrir e fechar os olhos. A borboleta se segurou por pouco tempo no dedo do menino, para depois bater as asas e voar junto com aquele pedacinho de vento. Quando voltou a si, a borboleta não estava mais lá, mas bem abaixo do seu dedo, uma pequenina mancha dizia o que faria ele desistir de tudo que havia acontecido e ir atrás do certo. Do seu certo.
'Eu amo você'.
As varejeiras não voltariam nunca mais.



- Love you 'till the end. -