terça-feira, 15 de junho de 2010

Somewhere Only We Know

Parecia feriado, juro.Claro, vocês devem saber como foi. Jogo do Brasil é sempre uma festa.
É estranho, mas copa do mundo às vezes me dá vontade de chorar. Acho que comoção nacional me dá vontade de chorar, seja para o bem ou não, e nada que cause maior comoção nacional do que copa do mundo.

Foda-se, a melhor parte, com certeza, são as três doses de futebol por dia =D


"Era o último dia da primavera, e era inacreditável o quanto andara. Provavelmente o dobro do que andara durante todo o inverno. Arfava, enquanto se apoiava no expesso tronco da velha seringueira. Tomou o último gole de água que restava em sua garrafa, e encostou-a no pé da árvore. Sentiu o líquido confortar novamente sua garganta até suas entranhas. Sentou, para uma vez mais observar a paisagem que lhe era velha conhecida. Era um meio de nada, ele devia frizar. O campo não era árido, as flores eram vistosas, principalmente quando vistas dessa perspeciva, estando bem perto delas. Só havia aquela árvore. E o céu. O céu azul era uma parte realmente importante.
Era o último dia da primavera. Recostado sobre o tronco, a garota agradeceu com um sorriso a tranquilide que poderia ter agora. Arrancou cuidadosamente uma das flores do chão ao seu lado. Era um misto de azul e rosa que ela nunca havia visto antes. O cheiro era menos intenso que o das outras, provavelmente por já estar quase morta naquele pedacinho de terreno. Resolveu colocá-la graciosamente atrás da orelha, de modo que se confundisse com seu cabelo. Sorriu, novamente.
Era o último dia da primaveira. O campo que a garota conhecia há tantos anos estava mais bonito do que nunca. Ela claro, dizia isso todas as vezes que conseguia escapar da cidade para se recostar ali. Fechou os olhos por um momento, começando o ritual de voltar a pensar em sua vida real. Odiava aquele momento, especialmente aquele. Não que não gostasse de sua vida, mas era sempre ruim voltar. E naquele dia tinha algo a mais.
Era o último dia da primaveira. O que lembrava que no dia seguinte seria verão. E alguns meses depois, outono, e o campo se desnudaria novamente. E sua vida com ele.
Ela odiava aquele momento, especialmente aquele. Mas não mais que o outono. Porque no outono, as flores e folhas caem, os ventos se tornam mais cortantes do que nunca e parece não haver meio de esquentar os pés.
Porque no Outono, tudo morre.
Tudo.
A garota abriu os olhos e suspirou. Levantou devagar e olho ao redor, o entorno que tanto conhecia, bem a tempo de ver que finalmene ele estava chegando, com um sorriso, aquele que ela gostava. Não resistiu e sorriu de volta. Correu na direção do garoto e o abraçou por alguns instantes, fechando os olhos. E quando tornou a abri-los, percebeu. O céu ainda estava azul e as flores ainda estavam lá.
Ainda era o último dia da primavera."


-How can you know it when you don't even try?-

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