domingo, 20 de junho de 2010

Pra Manter ou Mudar

Não dá MESMO pra ficar pensando que as coisas vão ser as mesmas pra todo sempre. Acho que o meu problema é pensar que nem as coisas boas devem durar por muito tempo. "Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.". Sempre gostei mais das coisas quando elas acabam, acho que tudo fica mais bonito quando acaba. Até o Michael Jackson xP

Sei que estou passando por uma mudança agora, e até que estou gostando disso haha. Só cuidado pra não quebrar a cara. Na verdade eu não funciono pensando no futuro, então vou só vivendo...
Perdi a hora, lamento.


"Do mesmo modo que foi, voltou. A rua estava um bastante mudada, a quantidade de prédios havia praticamente dobrado nos últimos anos, e as pequenas casinhas que fizeram parte de sua infância existiam apenas na memória. Andou mais alguns passos, olhando o entorno. Torceu o nariz. Sempre achou que edifícios não combinavam com ruas sem saída. Na verdade, a rua não era exatamente sem saída, mas terminava em uma pracinha, que por sua vez ficava em cima de um pequeno barranco. Era possível descer o barranco e chegar em uma rua próxima. Quando criança, fizera aquele trajeto dezenas de vezes, e era uma verdadeira aventura.
Andou até a praça. Os balanços que outrora o elevaram aos céus estava praticamente em cacos. A gangorras frias de metal agora haviam sido substituídas por outra, de plástico, com adesivos que indicavam à qual dos condomínios pertenciam, e as árvores, forradas de dizeres e juras de amor feitas com gizes coloridos, haviam sido raspadas. Apenas a grande seringueira ainda jazia imponente. Triste.
Girou o corpo, um pouco contrariado, e voltou à rua. Lembrou de quantas vezes havia ralado os joelhos brincando de pique, lembrou tão profundamente que lhe deu vontade de sentir o paralelepípedo quente em sua pele. Se abaixou, encostou a mão cuidadosamente no chão, e fechou os olhos. Uma energia lhe subiu pelo braço, até se instalar em seu peito, fazendo sentir cada momento vivido há anos atrás. Sorriu. Se levantou.
Havia apenas um sobrado conhecido na pequena alameda. Um sobrado que ele conhecia bem, e era seu destino. Suspirou um suspiro longo e começou a caminhar, pé-ante-pé. Parou em frente ao portão, tentando pensar no que estava por vir. Imaginou um abraço caloroso, talvez um choro de saudade, que não seria de todo ruim. Um pouco cinematográfico, mas não de todo o ruim. O sol se punha atrás da casa. Talvez fosse melhor se apressar. Tocou a campanhia, ansioso. Ouviu um barulho de maçaneta, e a porta se abriu soltando um grunhido leve. Depois disso, o que era porta virou surpresa.
'Achei que você nunca voltaria'. 'Eu também achei'. A frase veio acompanhada de um sorriso torto. 'A rua está bem diferente', ele tentava puxar qualquer assunto. 'Está. Fazem vinte anos que você partiu'. 'Fazem vinte minutos que voltei', retrucou ele, tímidamente triunfante. 'Voltou?' a pergunta era esperançosa. O homem assentiu, e a velha senhora se sentiu satisfeita. 'Quer entrar?' perguntou. O homem queria. Deu um passo a frente. Parou. Levantou o olhar em direção à velha. 'Sim. Obrigado, mãe'. 'Está tudo bem', ela respondeu disfarçando as lágrimas. Pelo menos naquele momento, todos os prédios haviam sumido, e só o que havia eram crianças brincando e correndo em meio às casas, balanças e gangorrar de metal e seringueira. Tudo parecia de volta ao seu lugar.
E o sol, calmamente, se punha atrás da casa".


-Tá todo mundo dançando a nostalgia do verão.-

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