quinta-feira, 17 de junho de 2010

Hard to Explain

É incrível, as pessoas me surpreendem cada dia mais. Surpreendem a todos nós, acredito, quando você menos espera sai aquela frase da pessoa mais improvável do mundo, e você fica com ela na cabeça por horas.
Tá, nem aconteceu, mas gosto de pensar desse jeito. Parece que cada pessoa, por mais quieta que seja, sempre tem alguma coisa a cabeça que por algum motivo a gente iria gostar de ouvir. Gosto de pensar que por trás de todos os medos e preocupações de cada um há um cantinho onde é possível se abrigar se necessário.

Pensamento ingênuo? Talvez, mas quem disse que não é bela a ingenuidade?

"'Chama My heart'. A voz do garoto soou decisiva. As duas amigas, que há tempos tentavam sem sucesso descobrir o nome de uma música que ressonava em suas cabeças, olharam quase surpresas. 'O que?' perguntou a primeira, um pouco incrédula. 'My heart', respondeu o garoto, satisfeito. 'é o nome da música'. A garota que havia arriscado algumas palavras agora começava a entender a situação. 'Ah... obrigada', respondeu ela corajosa. A outra não parecia muito confortável com o que acontecia, e apoiava a cabeça na parede, com olhos um tanto quanto desconfiados. Mas a amiga foi ainda mais longe.
'Qual é o seu nome?' ela perguntou, já perdendo a cautela. O garoto respondeu. Ela retrucou 'Eu sou Bia' e sorriu um sorriso sincero. O silêncio acobertou-os por alguns momentos, até a garota começar novamente. 'E então? Você gosta?' 'Gosto?' perguntou o garoto quase sem entender. 'Da música'. 'Ah, claro. É, gosto' respondeu um pouco desconexo. 'É realmente muito boa'. A garota sorriu novamente. 'Eu costumava cantar com algumas amigas quando era mais nova'. A amiga de Bia parecia mais desconfortável do que nunca. O garoto era um estranho, e ela temia que seu nome aparecesse na conversa mais cedo ou mais tarde. Não aconteceu.
'Legal', respondeu o garoto. Agora ele e Bia já pareciam velhos amigos. Não pelo tanto que conversaram, mas pelo amplexo criado no lugar. De uma hora para a outra, o ar havia ficado muito menos rarefeito, e o frio que fazia naquela tardezinha de outono, muito mais ameno. Conversaram por mais algum tempo, sobre coisas como o frio na semana anterior, uma notícia de jornal e os resultados da copa do mundo. Passado algum tempo, o garoto decidiu.
'Tenho que ir'. 'E a gente nunca mais se encontra?' perguntou Bia. 'Ah, se encontra...'. O silêncio mais uma vez tomou conta, dessa vez quase desesperador com a promessa mal fundamentada. Desta vez, a ausência de som foi quebrada por algo inesperado.
'Quer voltar aqui amanhã?' Era a amiga de Bia quem falava. Tremia um pouco, e sentia seu coração bater três vezes mais rápido que o normal. As palavras saíram vomitadas, tanto, que até o garoto foi pego de surpresa.
'O que? Ah..., bom, amanhã... sim, porque não?'. Sorriu, um sorriso torto. 'Mesma hora?'. 'Mesma hora', respondeu Bia, tímidamente alegre. O garoto olhou para a menina calada, esperando-a assentir. 'Mesma hora', ela disse, baixinho. 'Então ok.' O garoto se deu por satisfeito, virou calmamente e passou a andar, de volta para o seu caminho. 'O que deu em você, ficou quieta o tempo inteiro!'. Bia estava quase indignada. 'Não sei', respondeu a outra. Sentiu um calafrio e por algum motivo queria muito que o amanhã chegasse. Parecia um pouco mais segura agora, prometeu a si mesma que não ia se calar no dia seguinte. 'Você tá bem? Qual é o problema?'. 'My heart', a garota respondeu. Bia entendeu. E não mais perguntou."




-'I'm please to meet you, hope you gess my name.-

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