terça-feira, 29 de junho de 2010

You Could Have it So Much Better

Uma hora as coisas param, ficam estagnadas. Seja a euforia de uma copa do mundo, seja a euforia de um amor que ainda engatinha, sejam as desavenças amareladas pelo tempo. Uma hora nada disso mais importa, os assuntos mal resolvidos continuam não resolvidos e já não nos importamos com isso.
Acho que é isso que chamam 'amadurecimento'.



"'É hora de arrumar sua própria bagunça'. A figura conhecida repetia exaustivamente a frase. Era um sonho, disso eu tinha certeza, até podia sentir as bordas de meu campo de visão um pouco embranquecidas, fazendo a cena ganhar um ar um tanto quanto 'celestial'. 'É hora de arrumar sua própria bagunça'. O garoto disse mais uma vez. Já estava ficando desconcertado. Havia assentido da primeira vez, mas parecia que a mensagem não parava por ali e eu não estava conseguindo entender. 'Que bagunça?' perguntei. A figura riu, me deixando em um misto de raiva e constrangimento.'Sua bagunça, tudo aquilo que está em suspenso. As discussões, as respostas, os pensamentos. É hora de colocar tudo onde deveria estar, as coisas não podem ficar como estão'. Entendi. Os últimos meses se projetaram na minha mente, parecendo imaturos e pobres. Tive raiva, do que fiz e do que não fiz. Não havia nada que me trouxesse mais desgosto no mundo do que lembrar daquele passado. 'O que eu tenho que fazer?' perguntei determinado. 'Procure-os, converse com eles, brigue mais, se necessário. Arranje um final, mesmo que não agrade ao público.' 'Que público?' pensei. Pro inferno com o público. Procura-los? Jamais, não de novo. Sem mais brigas ou falsos entendimentos. 'Não.' Respondi ao menino à minha frente. 'Não?' eu o confundira. 'Como não?' 'Eu achei que fossem novos tempos.' expliquei. 'Novos tempos nos quais não importa mais o passado.' O garoto refletiu por um momento. 'Novos tempos?' ele ainda custava a entender. 'E não tem medo dos novos tempos?' 'Tenho, claro que tenho' respondi sincero. 'Mas já estou vivendo, não posso mais voltar atrás. Os tempos são sempre novos, a cada segundo, é anti-natural viver o passado.' O garoto pensou mais um momento e perguntou desconcertado 'E a sua bagunça?' 'Pro inferno com minha bagunça.' Aconteceu um sorriso solitário. Outro, logo em seguida. Os dois se encararam por um breve instante. 'Então está bem'. A figura do garoto foi se misturando vagarosamente às bordas brancas no canto dos meus olhos, cada vez mais, até tudo se perder em sua imensa branquidão, me fazendo acordar. Acordar para os novos tempos.



-Living is easy with eyes closed.-

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