Faz um tempão. E garanto, muita, muita coisa aconteceu, tanta que nem vale a pena listar. Não sei bem o motivo de voltar, talvez não volte pra mais nada além deste, mas agora vou escrever e pronto.
É um daqueles momentos estranhos em que sinto que qualquer brisa um pouco mais forte pudesse me carregar pra longe. Claramente, deve ser a melhor sensação do mundo, mas ainda tenho medo de onde essa brisa pode me levar. Medo de que se torne uma ventania descontrolada. Acho que acima de tudo, tenho medo que a ventania passe, e tudo volte a ser como era antes:A mesma merda.
É, acho que essa brisa tem nome.
"Em sua cabeça, era certo que viver aquilo era certo. Era mais certo ainda que, o certo de sua cabeça não era o certo para a cabeça dos outros. Era certo também que ele já não aguentava mais essa discussão, em forma de milhões de moscas varejeiras, dentro de sua cabeça. Parou de andar por um momento e sentou em um banco qualquer. Frio, no máximo dez graus. Lembrou da luva esquecida em sua gaveta. Um calafrio percorreu sua espinha e ele subiu mais um pouco o ziper, fechando inteiramente a gola do casaco.
Fechou os olhos. Ele sabia que a pergunta viria novamente. "Será?". Quis espantar a dúvida, seu coração acelerou por um instante, mas logo voltou ao normal. Sabia que não valeria a pena gastar mais tempo pensando no que já estava decidido. Balançou a mão perto da cabeça, como se quisesse espantar as milhões de varejeiras que o incomodavam. Se deu por satisfeito por alguns segundos. Sua mente estava quase vazia.
Quase.
Começou a pensar na razão daquilo tudo. Lembrou de todos os quais teve que passar por cima para chegar onde estava agora. Provavelmente ficaria com má fama. Claro, entre pessoas com quem ele não se importava. Lembrou dela. Um sorriso invadiu seu rosto, e antes que as varejeiras pudessem se recompor, uma pequena borboleta roxa pousou bem ao seu lado no banco. Abriu e fechou as asas, como numa saudação silenciosa. O garoto tentou aproximar a mão, devagar. Ela se fechou, amedrontada, ameaçou voar. Não o fez. Ficou ali. Tremendo. Se acostumando. O garoto tentou novamente, dessa vez conseguiu chegar mais perto. Cuidadosamente, apoiou o dedo bem ao lado da pequena mancha roxa. A borboleta bateu as asas lenta e graciosamente, o suficiente para subir no dedo.
Ficaram ali alguns segundos, o garoto estava deslumbrado. Foi quando uma brisa cortou seu rosto. Fria, mas agradável. O fez sorrir e fechar os olhos. A borboleta se segurou por pouco tempo no dedo do menino, para depois bater as asas e voar junto com aquele pedacinho de vento. Quando voltou a si, a borboleta não estava mais lá, mas bem abaixo do seu dedo, uma pequenina mancha dizia o que faria ele desistir de tudo que havia acontecido e ir atrás do certo. Do seu certo.
'Eu amo você'.
As varejeiras não voltariam nunca mais.
- Love you 'till the end. -
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