Esquisito como perdemos o interesse nas coisas. E chega sem avisar, sempre. No fundo, odeio quando isso acontece, odeio ser uma pessoa muito recorrente, ambulante, mutável. Preferia ficar do mesmo jeito sempre, traria menos problemas e mais certezas.
Querer nunca foi poder, dizem.
"Um sorriso um pouco torto encheu os olhos da menina de brilho. Ela gostava daquele sorriso. Se sentia segura, ainda mais quando ela mesma o provocava. Chegou um pouco mais perto do garoto, e se recolheu em seu peito. Estavam deitados num pequeno sofá, no alto de um apartamento iluminado apenas pela luz da lua. 'O que nos trouxe até aqui?' o garoto tirou o sorriso do rosto. 'O que?' ela fechou os olhos e beijou seu peito. 'Medo ou coragem?'. Ela abriu os olhos, levantou a cabeça e fitou suas pupilas. Ele repassou os últimos meses na cabeça. O modo como se conheceram, como ela o encantara. Lembrou de como queria sentir seu beijo a todo momento. Olhou de volta em seus olhos. Esperou-a insistir. 'Hein?' 'O que?' 'Medo ou coragem?'. 'Talvez nenhum dos dois' sibilou.Ela estranhou. 'Nenhum?' 'Nenhum' ele concluiu.
A garota sorriu, beijou-lhe levemente os lábios e recostou a cabeça novamente em seu peito, bem a tempo de ver surgir na boca dele o mesmo sorriso torto.
'Talvez nenhum dos dois.'
Era tudo que ela precisava ouvir."
-Come as you are -..
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