segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Todas as Noites

Ia ser totalmente fantástico se a nostalgia do verão fosse esquecida no inverno, ou se a ordem natural das coisas se alterasse quando necessário. Ou se qualquer prova passasse desapercebida, ou se as pessoas cuidassem mais de si próprias do que dos outros, quando não fosse requerido.
No fundo é uma merda, mas a gente se acostumou.
Chorar por isso é que não dá né?
Melhor se acostumar logo e dá tudo certo.


"Tente imaginar. O céu está estranhamente claro, há uma lua enorme e cheia, bem visível. Mas não é convidativo. Consegue imaginar? Uma ou outra nuvem, fazendo um gracioso contorno em volta da lua. E estrelas, o máximo que as luzes da cidade nos deixam ver. Salpicadas no lusco-fusco azul e negro. Está acompanhando? Uma das estrelas olha em volta, tenta brilhar com um pouco mais de intensidade, como quem quer chamar atenção. pisca uma, duas, três vezes. Desiste. A lua olha, e se balança, triste. O vento do leste se faz presente, ruidoso e um pouco assustador. Chacoalha a estrela. Ela se recompõe. Consegue visualizar? A estrela pequena, tentando ser lua, se esforçando cada vez mais pra ser notada. E dá uma pirueta, duas, três vezes. Nada. Uma nuvem a encobre. Passa. Ela olha de novo, primeiro para os lados, depois para baixo. Se apaga um pouco. E uma lágrima escapa em forma de chuva, uma, duas, três vezes. Ela as enxuga. E cai. Bem na minha frente.
Acompanho o ocorrido. Baixo o olhar e ouço o baque surdo da pequena estrela. Sinto cheiro de sal e noite. Cheiro de tristeza.
Conseguiu imaginar? Então me responda;
Custa tentar ser apenas o que se é?"



- It's coming down -.

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