E as coisas continuam acontecendo de maneiras absurdas. Pessoas tomando decisões completamente inesperadas. Entreouvi uma vez, não lembro onde: "é próprio dos sábios mudar de opinião". Claro, mas também é necessário o mínimo de personalidade, a não ser que sua personalidade seja "mudar de opinião diversas vezes".
Mas aí seria uma personalidade fraca hehe.
Tá, reflexão idiota.
"'Tem alguém aí?' A pergunta saiu ecoando por entre as árvores, corrimões, degraus de concreto e pedaços de terra. Um ruído metálico havia, há pouco, invadido abruptamente seus ouvidos, como se machucasse um dos imensos canos. Olhou no relógio. Três e vinte da manhã, e a lua quase inteiramente cheia. Era uma praça estranha, nunca havia estado ali de noite. Não sabia se podia chamar de praça, era mais um barranco, com alguns bancos e uma escada para subir, fazendo caminhos tortuosos por entre a folhagem. Não sabia ao certo como havia chegado daquele lado do bairro, a verdade é que suas andanças noturnas estavam passando do limite. 'Só mais essa noite', ele sempre pensava.
'Tem alguém aí?' Repetiu. Sem resposta. Estava prestes a desistir seguir andando quando novamente, o som, mais alto dessa vez. Parecia um diapasão desafinado, foi a melhor definição que ele encontrou. Agora o som o assustou, fazendo sua espinha estremecer um momento. 'Tem alguém...' desistiu. Resolveu subir. Passos rápidos para não desistir no caminho. Parou no décimo degrau. A copa de uma das árvores baixas balançava com o vento, de modo que ricocheteava em seu braço, vez ou outra. Por um momento, quem visse de baixo não saberia o que era ele o que era praça, tamanha a escuridão. Talvez nem ele próprio soubesse o que era ele e o que era praça. O som se fez novamente presente, ainda mais forte, mas não mais próximo. O garoto olhou em volta. 'Por favor' já era uma súplica. O ruído veio novamente. E mais uma vez. E outra. Ficou ritmado. Lento, mas ritmado, uma mesma nota. Ecoava cada vez mais alta, fazendo a cabeça do garoto doer. Levou a mão aos ouvidos. 'Chega, chega!' Quis sair correndo, quis ir embora. Ajoelhou no chão. Agora o som sufocava o som de sua respiração. Mais alto e mais alto, agora mais perto, até o momento que, junto com o ruído metálico, uma fagulhada atingiu sua cabeça, lhe dando a sensação de que seu próprio corpo era o flagelado, e todo feito de cobre ou ferro. Caiu. O garoto gritou, soltou um berro do fundo das entranhas, em completo desespero, antes de cair, totalmente inconsciente.
***
A garota chegou um pouco mais perto do primeiro degrau da praça. Aquilo a fascinava, a beleza da grotesca vegetação urbana. Contemplou por um momento. Estava prestes a ir embora, quando um som estranhamente metálico soou do centro da praça, seguido por um grito abafado e opaco. Ela esperou um momento. 'Tem alguém aí?' perguntou?
Nenhum som. Havia sido o último.
A garota deu de ombros, e recomeçou a andar.
A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu?-.
Terror?
ResponderExcluirDeu-me arrepios.
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